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A primeira vocação de Henri Antoine Groués (este é o nome de baptismo do Abbé Pierre) foi franciscana: ingressou na ordem dos capuchinhos, mas saiu poucos anos depois, por motivos de saúde, sendo admitido no clero de uma diocese francesa. A sua alma ficou sempre fortemente marcada pelo amor à pobreza e aos mais desprotegidos. Viveu os primeiros anos de sacerdócio no período da Segunda Guerra Mundial, dedicando-se ao salvamento de pessoas da polícia secreta nazi: falsificava passaportes, e ajudava judeus e cidadãos da Polónia a passar a fronteira. Organizou um grupo de resistência armada até ser preso, mas conseguiu fugir escondido num saco do correio, num avião para a Argélia.

Em 1949, já enquanto deputado Abbé Pierre vivia numa casa que ele próprio restaurou e onde começou a caminhada de Emmaús, acolhendo pessoas com dificuldade, desde jovens a indivíduos sem-abrigo. Foi no decorrer deste ano que fundou o que viria a ser Emmaús Internacional, iniciativa que parte de um momento crucial na sua vida, o encontro com George Legaey no momento em que este estava quase a suicidar-se. Emaüs nasce como uma iniciativa que pretende “ agir para que cada pessoa, sociedade ou nação possa viver e afirmar-se num mundo de partilha e de dignidade igualitária.”




Em 1951, Pierre deixa a Assembleia Nacional por protesto contra uma lei eleitoral. De agora em diante, dedica-se inteiramente ao Movimento Emaüs, que havia iniciado dois anos antes. A sua actividade dividia-se entre a multiplicação das Comunidades Emaüs e contínuas viagens, palestras e encontros, lançando campanhas em favor dos mais desprotegidos, encontrando-se com chefes de estado e representantes das mais diversas Igrejas e religiões.




Em 1953, a Associação Emaüs é criada com vista a organizar o movimento. Apesar de ser uma associação fundada por um padre cristão, ela mantêm-se neutra a nível religioso, de modo assegurar a admissão de pessoas de todas as etnias ou religiões, prestando auxílio a todos aqueles que necessitam independentemente de tudo o resto.

A seguir à destruição provocada pela Segunda Grande Guerra, revoltado ao constatar que num país rico como a França morriam, devido ao frio, pessoas que dormiam na rua, falou aos microfones da Rádio Luxemburgo (RTL), para recolher apoio e salvar os mais pobres de uma morte certa. Chocou a França, ao contar a história de uma mulher que morrera na rua segurando um papel ordenando a sua expulsão do abrigo donde se encontrava anteriormente. Deu-se o que viera a ser chamada a “Insurreição da Bondade”, surgindo uma enorme vaga de solidariedade, angariando-se cerca de 2 000 toneladas de mantimentos, que até serviram depois para ajudar a alicerçar o movimento. Começou, um longo período onde Abbé Pierre ganhou peso não só na opinião pública, como também no poder político.

Nos dias a seguir a esta grande iniciativa, são fundadas as instituições basilares de Emaüs: HLM Emmaüs, Association d’Emmaüs et Confédération générale du Logement e SOS Famille Emmaüs.




 

Em 1984 dá-se mais um acontecimento importantíssimo para a vida de Abbé Pierre. Num Inverno terrível, morrem por hipotermia, frio ou problemas psicológicos cerca de 50 pessoas sem-abrigo. Afinal, 30 anos depois daquele Inverno que depois levara ao despoletar de Emaüs, a França falhara em matéria de realojamento. De novo, Abbé Pierre aparece como a voz da revolta contra a miséria social, apoiado pelo jornal “ France Soir” lança uma campanha mediática que mobilizara novamente os franceses para a resolução destes problemas. As Comunidades Emaüs formadas por companheiros e voluntários de Neuilly-Plaisance, Neuilly-sur-Marne, Plessis-Trévise, de Bougival e de Bernes-sur-Oise, tentaram responder a esta crise, distribuindo mantimentos na capital francesa.





Abbé Pierre vivera o resto dos seus dias numa comunidade junto com pessoas idosas e doentes do Movimento, esperando “as grandes férias”, como ele definia a viagem definitiva. Porém, não ficava trancado. Quando alguma necessidade o chamava, saía para defender os direitos dos imigrantes, dos que não têm casa, ocupando praças e casas não alugadas, obrigando as autoridades a encontrarem uma solução definitiva.

Fez várias publicações pessoais, e em conjunto com o ex-ministro da saúde francês Bernard Kouchner escreveu o livro "Deus e os homens" (Dieu et les hommes).

Neste ano em que ele parte, deixa uma congregação de vários movimentos Emaüs presentes em vários países de quatro continentes, complementando o esforço dos membros de Emmaús com os voluntários, agindo não só no domínio social, mas também ao nível político, lutando contra a escravatura moderna e as descriminações sociais, e pelo realojamento dos refugiados vítimas de todo o tipo de catástrofes.


 

publicado por grupo de jovens de Emaús às 22:00

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